Tratar a obesidade para travar o ciclo da doença cardiorrenometabólica
publicado em Notícias
29/04/2026
Joana Louro, médica internista na Unidade Local de Saúde do Oeste, defendeu uma mudança de paradigma no tratamento do risco cardiovascular durante o Curso de Lípidos, realizado no âmbito do Congresso Português de Cardiologia (CPC). Em entrevista, a especialista reiterou que a obesidade deve ser encarada como a “doença mãe” das patologias metabólicas, uma vez que a adiposidade disfuncional e inflamatória está na base da fisiopatologia que desencadeia o síndrome cardiorrenometabólico. Assista ao vídeo.
A especialista propõe uma abordagem que privilegia a identificação e o tratamento precoce da disfunção metabólica, intervindo antes mesmo do aparecimento de placas arteriais ou eventos clínicos. Ao tratar a obesidade na sua génese, é possível interromper o ciclo patológico que liga o fígado, os rins e o coração, reduzindo a carga de doenças como a insuficiência cardíaca, a doença renal crónica e a doença arterial coronária.
Nesta visão integrada, a médica destaca a relevância do “Life’s Essential 8” como pilar fundamental no acompanhamento de qualquer patologia crónica. A abordagem transcende a intervenção farmacológica, exigindo um foco em comportamentos como a alimentação saudável, o exercício físico, o sono adequado e a Saúde Mental. Para a internista, o tratamento da obesidade não se resume a “fechar a boca”, mas sim a uma estratégia que combina as terapêuticas psicocomportamental, farmacológica e cirúrgica, assente nos mesmos pilares de saúde essenciais a qualquer doente cardiovascular.