Da evidência científica à prática clínica: o desafio de superar o “gap” no controlo lipídico e o papel da Lp(a)
publicado em Notícias
07/05/2026
Alberto Mello e Silva, especialista em Cardiologia e Medicina Interna do Grupo Luz Saúde, analisa os principais desafios no controlo lipídico atual, em entrevista à News Farma. O médico, que foi um dos diretores do “Curso de Lípidos – O essencial em 4 capítulos”, realizado a 23 de abril, véspera do arranque do Congresso Português de Cardiologia (CPC) 2026, aborda a urgência de transpor a evidência científica para a prática clínica diária, destacando o papel fundamental das recentes inovações terapêuticas. Assista ao vídeo.
“Tenho a felicidade de ter acompanhado as grandes evoluções tecnológicas, não só de diagnóstico, mas também terapêuticas. E, de facto, esses últimos anos têm sido espetaculares”, afirma Alberto Mello e Silva, assinalando, no entanto, o gap que existe entre “a evidência científica e a disponibilidade do armamentário terapêutico que nós temos para aquilo que os estudos evidenciam”. Esta discrepância é potenciada pela complexidade dos doentes, que muitas vezes apresentam patologias em múltiplos órgãos, exigindo uma abordagem mais transversal do que o foco exclusivo no coração. O especialista defende ainda que as guidelines das diversas sociedades científicas devem caminhar para novos consensos que facilitem esta transposição.
No que toca à adesão ao tratamento, Alberto Mello e Silva sublinha que convencer um doente assintomático a cumprir uma rotina diária de fármacos é um desafio constante e que, mesmo após eventos cardiovasculares graves, a taxa de abandono dos doentes é muito elevada. Neste contexto, vê com otimismo a chegada de fármacos como os inibidores da PCSK9 com terapêuticas de administração a cada duas semanas ou de 6 em 6 meses, que fazem com que a taxa de adesão seja maior. Por fim, Alberto Mello e Silva descreve a lipoproteína (a) [Lp(a)] como “new kid in town”, uma vez que, apesar de ser “conhecida há muitos anos” e de ser “geneticamente determinada”, só agora começam a surgir avanços nesta área. Além disso, conclui, a inclusão da Lp(a) na avaliação clínica permitirá, no futuro, uma predição muito mais fiel dos eventos cardiovasculares.