Best of EAS 2025

Best of EAS 2025 acontece já em agosto


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22/07/2025


Nos dias 1 e 2 de agosto, o One Farrer Hotel, em Singapura, é palco do Best of EAS 2025, um congresso de cardiologia de referência na região Ásia-Pacífico, promovido pela European Atherosclerosis Society (EAS). O evento reúne investigadores, especialistas e clínicos de todo o mundo para discutir os avanços mais recentes no estudo e tratamento da aterosclerose.

Com um programa científico diversificado, o congresso inclui palestras de especialistas internacionais, sessões interativas e workshops dedicados à inovação clínica e investigação translacional. A iniciativa pretende promover o intercâmbio de conhecimento, fomentar novas colaborações e impulsionar práticas médicas mais eficazes no combate às doenças cardiovasculares, com destaque para a aterosclerose.

Em mensagem de boas-vindas, o Comité Científico do evento destaca a importância do Best of EAS como plataforma para inspirar ideias e fortalecer o diálogo entre profissionais, investigadores e decisores políticos. “O nosso objetivo é proporcionar uma experiência enriquecedora para todos os participantes e contribuir para a evolução dos cuidados cardiovasculares, especialmente na Ásia”, referem os organizadores.

O evento conta com o apoio de oradores de renome, patrocinadores e instituições científicas parceiras. As inscrições estão abertas e o programa completo pode ser consultado online. O Best of EAS 2025 promete ser um marco na atualização científica sobre aterosclerose, reforçando o compromisso global com a prevenção e tratamento das doenças cardiovasculares.

Anabela Raimundo

Anabela Raimundo dá as boas-vindas ao CPA 2025


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22/07/2025


Vamos tornar a aterosclerose uma doença rara!

Este é o lema do XXXIII Congresso Português de Aterosclerose.  Sei que parece um objetivo inatingível… mas não! Seguramente que não será amanhã, mas termos um grupo de pessoas com vontade de aprender, ensinar, partilhar ideias sobre a aterosclerose será o primeiro passo neste caminho longo e difícil, por vezes tortuoso da prevenção da aterosclerose.

Este sempre foi um congresso em que para além da ciência, há uma partilha de experiências, amizade e um espírito de grupo. Apesar da variedade de experiências profissionais, vivências e saberes, temos cientistas básicos, internistas, cardiologistas, endocrinologistas, médicos de Medicina Geral e Familiar, velhos e novos, todos temos um mote comum, prevenir e tratar a doença aterosclerótica e é isso que nos torna uma comunidade tão forte e coesa. E é por isto que o congresso todos os anos cresce e nos tornamos mais e mais fortes. Queremos passar a nossa mensagem à comunidade médica, mas também à sociedade civil e à classe política. Ser agente de mudança não é fácil, mas todos os que nos interessamos pela prevenção temos essa obrigação não só no nosso dia a dia, mas também na nossa comunidade.

Estar no Congresso Português de Aterosclerose em 2025 vai ser uma experiência rica, este ano escolhemos a Figueira da Foz, um local de fácil acesso, para permitir que todos possam estar presentes, de norte a sul do país, queremos que todos venham!

Os temas vão ser variados e abrangentes desde a genética às novas terapêuticas. Já temos programa provisório e está muito interessante e eclético, tentámos inovar e acima de tudo vamos trazer palestrantes nacionais e internacionais que nos garantem sessões com uma elevada qualidade científica.

Vai ser um congresso preocupado com o ambiente e em que vamos pôr em prática, aquilo que preconizamos, com menus certificados por nutricionista e atividades que nos vão pôr a mexer.

Como é hábito vamos ter mais uma edição do nosso curso de lípidos pré-congresso, que tem tido sempre imensa adesão e que é já uma tradição, que queremos muito manter.

Haverá um espaço de discussão para os trabalhos de investigação e casos clínicos que queiram partilhar connosco e os melhores terão um prémio, por isso comecem já a pensar e a trabalhar, pois o período de submissão já começou.

Para terminar, vai ser um congresso de todos e para todos os que se interessam pela aterosclerose, lá vos espero.

Até à Figueira da Foz! Até breve!

Anabela Raimundo

Saiba mais sobre o congresso aqui.

Investigação nacional em destaque no Congresso Europeu de Aterosclerose 2025


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16/07/2025


No âmbito da rubrica da News Farma TV, Especialidades, a Dr.ª Mafalda Bourbon comenta alguns dos estudos apresentados no Congresso da Sociedade Europeia de Aterosclerose 2025, em Glasgow.

Com especial destaque para três projetos em que a Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) está envolvida, a especialista sublinha o papel ativo da investigação nacional no avanço do conhecimento sobre a aterosclerose. Os trabalhos apresentados reforçam a importância da colaboração internacional e o contributo da ciência portuguesa no desenvolvimento de estratégias de prevenção e diagnóstico precoce desta doença com elevada prevalência.

Prémio Missão 70/26

Prémio Missão 70/26 – Comunicação na HTA: candidaturas abertas


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07/07/2025


A Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH) continua comprometida com a Missão 70/26, um programa estratégico multifacetado com o intuito de controlar 70% dos hipertensos entre os 18-64 anos vigiados nos Cuidados de Saúde Primários em Portugal até 2026*.  

Neste contexto, a SPH, em parceria com a Servier Portugal, lançou recentemente o Prémio Missão 70/26: 3.ª Edição – Comunicação na HTA – Criar Laços para Controlar. Com um 1.º prémio de 15 mil euros, um 2.º prémio de 5 mil euros e duas menções honrosas de 1500 euros cada, o objetivo é reconhecer e distinguir os projetos científicos que contribuem para valorizar o papel da comunicação na HTA como estratégia para melhorar o controlo da hipertensão arterial, o principal fator de risco cardiovascular em Portugal.

O júri, que irá garantir a seleção rigorosa dos projetos mais inovadores e impactantes, é composto por:  

Dr.ª Rosa de Pinho (Sociedade Portuguesa de Hipertensão)  

Dr.ª Sara Carmona (Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar)  

Dr. Diogo Cruz (Sociedade Portuguesa de Aterosclerose)  

Prof.ª Cristina Gavina (Sociedade Portuguesa de Cardiologia)  

Prof. Rodrigo Leão (Sociedade Portuguesa de Medicina Interna)  

Prof.ª Cristina Vaz de Almeida (Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde)

Dr.ª Ema Paulino (Associação Nacional das Farmácias)

Dr. António Conceição (Associação Portugal AVC).  

As candidaturas estão abertas até dia 30 de novembro e os vencedores serão revelados no 20.º Congresso de Hipertensão e Risco Cardiovascular em fevereiro de 2026. Mais informações e candidaturas aqui

Junte-se a esta Missão, quer seja através da submissão de projetos, quer na promoção e sensibilização da importância da comunicação na hipertensão arterial em Portugal.  

*Dados Bilhete de Identidade dos Cuidados de Saúde Primários (BI-CSP)

José Pereira de Moura

A trombose e os eventos isquémicos


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12/06/2025


O enfarte do miocárdio (EAM) e o acidente vascular cerebral isquémico (AVC), são as principais causas de morbilidade e mortalidade em todo o mundo. A lesão da placa aterosclerótica e a formação do trombo são processos críticos envolvidos no início destes eventos. A ativação plaquetar é uma etapa inicial da trombose mas os trombos contêm igualmente grandes quantidades de fibrina sugerindo uma ativação da cascata da coagulação. 

Existem dois principais tipos de lesão da placa: a rotura e a erosão. As placas propensas à rotura incluem um grande núcleo necrótico, capas fibrosas finas e muitos macrófagos e linfócitos T que desempenham um papel fundamental na rotura da placa e na exposição do núcleo necrótico trombogénico ao sangue circulante. A erosão é caracterizada por uma lesão relativamente superficial em placas ricas em células musculares lisas (CML) e matriz proteoglicana e um núcleo necrótico pequeno ou ausente e com escassas células inflamatórias. As forças hemodinâmicas, a apoptose endotelial, a ativação dos neutrófilos, a modificação da matriz e a vasoconstrição contribuem para a erosão. 

Na formação do trombo e sob condições de alto cisalhamento, o fator de Von Willebrand (FVW) forma uma ponte entre o colágeno exposto e os receptores da glicoproteína (GP) Ib-IX-V-Ia/IIa e VI das plaquetas. As plaquetas assim ativadas libertam adenosina difosfato (ADP), 5-hidroxitriptamina e tromboxano A2, todos eles ampliando o recrutamento e a ativação plaquetar. O trifosfato de adenosina (ATP) libertado por eritrócitos e leucócitos também ativa as plaquetas. Estão identificados três novos moduladores da ativação plaquetar: o ectonucleoside triphosphate diphosphohydrolase‐1 (NTPDase-1), o C‐type lectin‐like receptor 2  (CLEC-2) e a disintegrin and metalloprotease with a thrombospondin type 1 motif 13 (ADAMTS-13). As células endoteliais e as CML expressam NTPDase-1 na superfície celular que hidrolisa rapidamente o ADP e o ATP em adenosina monofosfato (AMP), inibindo a ativação plaquetar. Por seu lado, o aumento da expressão do CLEC-2 promove a ativação plaquetar e a formação de trombos na placa lesada. O ADAMTS-13 induz a clivagem do FVW e a redução da agregação plaquetar.

Como se disse os trombos contêm grandes quantidades de fibrina traduzindo a ativação da cascata da coagulação, sendo o fator tecidual (FT) o iniciador desta ativação. Encontra-se habitualmente no cérebro humano, no coração, na placenta, nos pulmões, nos rins e noutros órgãos. Os macrófagos e as SMC nas lesões ateroscleróticas expressam altos níveis de FT, contribuindo para aumentar a trombogenicidade da placa, estando o FT presente em altos níveis nas lesões ateroscleróticas. A via extrínseca da coagulação é iniciada pela ligação do fator VII/VIIa plasmático (FVII/FVIIca) ao FT, e os complexos FT/FVIIa ativam o FIX e o FX. O FXa na presença do FVa ativa a protrombina em trombina. As plaquetas ativadas com uma superfície carregada negativamente potenciam a cascata da coagulação.

Citocinas pró-inflamatórias, como a IL-1, o IFNγ, o TNFα, o lipopolissacarídeo e as LDL modificadas estão presentes nas placas e induzem a expressão de FT pelos macrófagos e SMC.

Todos os mecanismos descritos acima sugerem que a terapia antiagregante associada à anticoagulação é mais eficaz na prevenção da formação do trombo e do evento isquémico. Estudos como o COMPASS confirmam a eficácia desta associação.

Dr. José Pereira de Moura

Especialista em Medicina Interna

bolsa Akira 2024/2025

Projeto sobre Hipercolesterolemia Familiar vence Bolsa Akira 2024/2025


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11/06/2025


Já é conhecido o projeto vencedor da Bolsa Akira 2024/2025, uma iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), em parceria com a Daiichi Sankyo Portugal. A edição deste ano contou com a receção de três candidaturas, tendo sido selecionado o trabalho intitulado “Influência do Sistema Nervoso Autónomo na modulação fenotípica em doentes com hipercolesterolemia familiar heterozigótica”, da autoria do Dr. Patrício Aguiar.

A Bolsa Akira tem como objetivo apoiar e incentivar a investigação nacional na área da prevenção e tratamento da aterosclerose, reconhecendo anualmente projetos inovadores e com impacto clínico relevante.

Com esta distinção, a SPA e a Daiichi Sankyo Portugal reafirmam o seu compromisso com a ciência e a melhoria contínua do conhecimento em torno das doenças cardiovasculares, promovendo uma investigação clínica de excelência com potencial de aplicação prática.

Joana Louro

Diabetes e necessidade do controlo global dos fatores de risco


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04/06/2025


Há muito que percebemos que a diabetes transcende a dimensão metabólica e a redução de HbA1c. O continuo cardio-reno-metabólico confere um enquadramento muito mais fidedigno da verdadeira dimensão da doença, no qual a doença cardiovascular continua a ser a principal causa de morbilidade e mortalidade nas pessoas que vivem com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). 

Estas novas exigências conceptuais culminaram no novo paradigma da abordagem estratégica da DM2, que implica cumprir dois grandes objetivos: Prevenir as complicações e otimizar a qualidade vida! Se tivermos em conta os números avassaladores desta pandemia, é fácil perceber que cumprindo estas duas premissas intervimos diretamente na modificação do curso natural da doença, com impacto na mudança de prognóstico. 

Impõe-se uma abordagem absolutamente holística da pessoa com diabetes, integradora e complementar, em que o indivíduo está no centro de qualquer decisão. Não deve existir hierarquização de objetivos ou alvos terapêuticos, da mesma forma que não deve existir hierarquização terapêutica. Todos os quatro grandes componentes da abordagem da DM2 exigem igual foco e preocupação: Medicação para a gestão glicémica; Gestão do Peso, Gestão dos fatores de risco cardiovasculares (FRCV) e Proteção cardio-renal (com seleção de fármacos com benefícios comprovados na redução de MACE, hospitalização por insuficiência cardíaca e proteção renal) segundo as comorbilidades individualizadas da pessoa com diabetes. Num continuo de intervenção, em que a abordagem complementar de cada uma destas componentes se traduz em benefícios diretos e potencia os benefícios das outras componentes.

Desta forma, a Gestão dos FRCV é tão importante na abordagem da diabetes como o controlo glicémico. Nos últimos 10 anos, com a introdução de novos agentes farmacológicos como os iSGLT2 e os agomistas GLP1, múltiplas guidelines para redução do risco cardiovascular, foram emitidas por diferentes sociedades científicas das diferentes especialidades médicas, europeias e americanas. De uma forma geral as diretrizes estão alinhadas na recomendação de intervenções no estilo de vida, no controle agressivo da pressão arterial, c-LDL e glicemia, e proteção renal.  As principais diferenças envolvem critérios de estratificação de risco, metas de tratamento para c-LDL e pressão arterial e indicações para adição de SGLT2i e GLP-1RA. No entanto, essas diferenças são mínimas, refletindo variações na interpretação das evidências e atualizações em rápido progresso na pesquisa clínica. 
O que é indiscutível é que a abordagem agressiva dos FRCV, com targets muito bem definidos e individualizados segundo a estratificação de risco é parte integrante da abordagem da pessoa com DM, permitindo cumprir a premissa fundamental: mais anos de vida com mais qualidade de vida.

Drª. Joana Louro
Especialista em Medicina Interna

Assembleia Geral

Convocatória Assembleia Geral


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14/05/2025


Ao abrigo do Artigo 23.º, ponto 1, alínea b, dos Estatutos da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, convoco uma Assembleia Geral Ordinária para o dia 31 de maio de 2025, pelas 11h e 00 min, a ter lugar na sua sede sita na Avenida José Malhoa – n.º 2, Edifício Malhoa Plaza – Tardoz, Escritório 3.4 – Piso 3, 1070-158 Lisboa.

Ordem de Trabalhos

1. Apresentação, discussão e votação das contas relativas ao exercício do ano 2024;

2. Informações/assuntos diversos.

Se à hora indicada não estiverem presentes o número de sócios que em termos estatutários permitam que a mesma tenha lugar, desde já fica feita uma 2.ª convocatória para 30 minutos após a hora da 1.ª convocatória, no mesmo local e com a mesma ordem de trabalhos, com o número de sócios presentes.

Lisboa, 12 de Maio de 2025

A Presidente da Assembleia Geral

Prof. Luciana Couto

Mário Espiga Macedo

Medicina Pan Vascular – uma nova estratégia na prevenção e tratamento da doença aterosclerótica


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07/05/2025


As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte no mundo, e Portugal não é exceção. Em artigo de opinião, o Dr. Mário Espiga de Macedo defende uma mudança urgente de paradigma na abordagem à doença aterosclerótica, propondo o conceito de “Medicina Pan Vascular” como estratégia essencial para a prevenção e o tratamento eficaz destas patologias. Saiba mais.

As doenças cardiovasculares (DCV), principalmente o enfarte agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral, continuam a ser em 2025 as principais causas de morte e de doença em todo o mundo, sendo a causa de mais de um terço das mortes. Vários são os estudos que nos revelam que o controlo da prevalência de alguns dos principais fatores de risco vasculares (hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes , obesidade, tabaco. etc), estagnou ou até se agravou, contribuindo para o elevado número de mortes prematuras. Há por isso uma falha dos médicos e das entidades responsáveis na prevenção das doenças vasculares e no tratamento precoce dos sinais subclínicos das doenças ateroscleróticas. Também em Portugal, apesar de haver alguma melhoria no controlo destas doenças, ainda estamos longe dos objetivos ideais da sua prevenção e da melhoria dos fatores de risco com elas relacionados. Estão os médicos demasiadamente focados no processo isquémico agudo, que quando acontece, já é tarde para uma ótima intervenção, e limitam a eficácia do tratamento.

Uma das razões desta situação são o aparecimento de fatores de risco emergentes, nem sempre valorizados pelos médicos, como o aumento muito significativo da diabetes e em idades mais precoces, a epidemia da obesidade em todos os grupos etário, mas principalmente em idades muito precoces, as nano partículas de plásticos, os problemas socioeconómicos, o consumo de álcool, a poluição atmosférica, a poluição sonora, o stress profissional e familiar, a adoção de estilos de vida pouco saudáveis, o sedentarismo, e a história familiar de doenças vasculares nem sempre lembrada.

Classicamente, só nos lembramos da doença vascular quando existe um evento agudo, enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral, claudicação dos membros, aneurisma da aorta, etc., que são normalmente tratados pelo especialista da área em questão, cardiologista, neurologista, que pensa na base de uma oclusão arterial e esta orienta o diagnóstico e tratamento, esquecendo-se, muitas das vezes, do continuum sistémico da aterosclerose. Ora, na grande maioria das ocasiões trata-se o evento agudo, esquecendo-se que a doença vascular pode existir em todo o território arterial. Estudos recentes mostraram que em doentes com enfarte do miocárdio, existia doença arterial periférica em mais de 60 %. O conceito de medicina pan vascular parte de uma perspetiva holística da estrutura e função do corpo humano e explora os mecanismos que geram e fazem progredir a doença aterosclerótica através de uma abordagem multidimensional dos sistemas biológicos.

É do conhecimento de todos que a aterosclerose se desenvolve desde a infância e que se vai agravando ao longo da vida, até haver um evento agudo. Este desenvolvimento é tanto maior quanto mais fatores de risco e mais graves possuir o paciente.

A estratégia de avaliação e tratamento das doenças pan vasculares deve deixar de estar centrada na doença, mas centrada no doente (ateroma). Deve haver uma conjugação de estudos entre a medicina, a biologia e as novas tecnologias. A identificação da presença de alguns dos vários fatores de risco já acima referidos e o seu controlo contribuem para a prevenção e redução das incidências das doenças vasculares. É fundamental a deteção e prevenção precoce da doença. Não devemos esquecer que a doença aterosclerótica e a sua placa por vezes instável, e com irregularidades, se distribui ao longo de toda a árvore vascular, e se desenvolvem precocemente desde a idade jovem e ao logo da vida, sendo aí que devemos focar a nossa atuação no sentido do precoce diagnóstico e tratamento, evitando desse modo um evento agudo.

São múltiplos os instrumentos à nossa disposição, como as diferentes multi-omics que permitem a identificação de biomarcadores que ajudam na melhor compreensão do e avaliação do risco antes de acontecer um evento vascular. A ultrassonografia complementada pela tomografia computorizada e a angioressonância permitem conhecer bem as lesões de toda a arvore vascular. Como é bem conhecido a inflamação e a atividade imunológica, estão na base do processo fisiopatológico da aterosclerose e da instabilidade das placas, podendo aqui o PET/TC ser um ótimo instrumento de diagnóstico. Contudo estas novas tecnologias ainda não estão disponíveis para toda a população, pois têm a maioria delas um custo elevado.

Devemos por isso estar atentos aos marcadores subclínicos e aos perfis fenotípicos que nos podem por no caminho de um diagnóstico precoce. Mas se estivermos atentos aos novos fatores de risco CV emergentes, tratarmos e controlarmos bem a hipertensão (continua a ser o principal fator de risco das DCV) a dislipidemia, e vencermos a epidemia da obesidade principalmente nos jovens, e ainda a diabetes, vamos conseguir uma redução de mais de 50 % dos eventos cardiovasculares principalmente os em idades precoces.

Aconselho a leitura da publicação muito recente, de maio de 2025 : The European Cardiovascular Health Plan: The Roadmap – publicada pela European Alliance for Cardiovascular Health, que é uma magnifica recomendação e orientação para todos os que queira estar na luta contra as doenças pan vasculares, com o fim como é proposto nesta publicação de conseguir uma redução de 30 % das DCV até 2030.

Francisco Araújo

Sociedades científicas devem atuar “lado a lado” no controlo dos fatores de risco cardiovascular


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02/05/2025


Francisco Araújo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, foi um dos preletores do Módulo 1 e do Módulo 4 do Ciclo de Atualização Cardiovascular, integrado no Congresso Português de Cardiologia (CPC). Em declarações à News Farma, destaca o papel da Sociedade Portuguesa de Cardiologia no enfoque dado ao controlo dos fatores de risco, com especial destaque para a dislipidemia.

“Fico muito agradecido por isso, como representante da Sociedade Portuguesa de aterosclerose, acho muito importante que todas as sociedades que trabalham com doentes com risco de doença cardiovascular, possam atuar de uma forma síncrona, em conjunto, lado a lado”, sublinha.

A sua primeira intervenção centrou-se na carga de risco acumulado, uma temática que considera essencial. “Sabemos que nós todos, desde pequeninos, estamos expostos ao nível de colesterol, que nalgumas situações, por uma razão genética e noutras por maus comportamentos alimentares ou outro estilo de vida no geral”, garante.

Na segunda intervenção, Francisco Araújo abordou o tratamento intensivo de doentes com muito alto risco, como aqueles que já sofreram um evento cardiovascular agudo. “Quanto mais cedo começarmos a alertar essas pessoas, quanto mais intensivos formos a tratar, maior é o benefício para eles no caso de poder haver um evento recorrente.”

Além da redução do risco de recorrência do evento inicial, salientou também o impacto positivo na prevenção de outras manifestações da doença aterosclerótica. “Reduzimos o risco de ter um novo enfarte, mas também fizemos o risco ter um AVC, por exemplo, ou ter uma agudização de doença arterial periférica. Portanto, a aterosclerose é uma doença global e todas as formas que possamos ter para controlar a sua progressão são muito positivas para a saúde cardiovascular do nosso doente”, concluiu.

Assista à entrevista no My Cardiologia.