Exposição cumulativa ao colesterol LDL agrava o risco cardiovascular ao longo dos anos

Exposição cumulativa ao colesterol LDL agrava o risco cardiovascular ao longo dos anos


publicado em Notícias

12/10/2026


O risco cardiovascular não depende apenas do valor atual do colesterol LDL, mas também do tempo durante o qual este se mantém elevado. Mesmo alterações ligeiras, quando persistem durante vários anos, contribuem silenciosamente para o desenvolvimento da aterosclerose. Em entrevista à News Farma, no âmbito da Semana do Coração – iniciativa desenvolvida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), com o apoio da Servier –, Patrícia Vasconcelos, membro da direção da SPA e internista da Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra, explica o conceito de exposição cumulativa ao colesterol. A especialista destaca a importância de não desvalorizar elevações mantidas ao longo do tempo e de ponderar mais precocemente a terapêutica hipolipemiante, de acordo com o risco individual. Assista ao vídeo.

Em conversa com a News Farma, a propósito da iniciativa dedicada ao Dia Mundial do Coração, assinalado anualmente a 29 de setembro, Patrícia Vasconcelos recorda que a probabilidade de sofrer um evento cardiovascular agudo não depende apenas do valor isolado do colesterol LDL, num determinado momento. É também influenciado pelo tempo durante o qual as artérias permanecem expostas a níveis elevados de colesterol LDL.

“Como sabemos, o risco associado ao colesterol depende não apenas do valor que encontramos nas análises, mas também do número de anos durante os quais as artérias estão expostas a esse valor. Os anos de exposição contam muito”, sublinha a médica.

Segundo a especialista, este conceito não significa que todos os jovens com pequenas alterações lipídicas devam iniciar medicação. Significa, contudo, que o impacto acumulado a longo prazo não deve ser ignorado apenas porque o risco calculado a dez anos parece reduzido. “Se desvalorizarmos, não vamos ter em conta que este ‘um bocadinho alto’, ao longo de muito tempo, também vai ter o seu impacto. Ou seja, todos os dias contam aqui. Há, de facto, um risco cumulativo com os anos”, adverte Patrícia Vasconcelos.

Para tornar o conceito mais claro para os doentes, a internista estabelece um paralelismo com o tabagismo: compara duas pessoas com o mesmo consumo diário de tabaco, mas em que uma fuma há 30 anos e a outra há apenas um ano. Torna-se, assim, intuitivo perceber qual delas acumulou maior exposição e apresenta maior risco. A mesma lógica pode ser aplicada ao colesterol.

De acordo com Patrícia Vasconcelos, o essencial é sensibilizar para uma realidade silenciosa e assintomática: “Nós não sentimos, mas o número de anos durante os quais as artérias estão expostas a níveis elevados de colesterol conta, tal como conta o número de anos de exposição ao tabaco”.

Quanto mais cedo o controlarmos, maior será a proteção cardiovascular.