Impacto do fumo do cigarro passivo no proteoma humano: em busca de biomarcadores precoces de risco para a saúde

Impacto do fumo do cigarro passivo no proteoma humano: em busca de biomarcadores precoces de risco para a saúde


publicado em Notícias

05/01/2026


Os não-fumadores expostos ao fumo do cigarro passivo ou, simplesmente fumo passivo (FP), apresentam um risco acrescido de desenvolver diversas doenças graves. No entanto, os mecanismos moleculares que explicam estes efeitos continuam pouco esclarecidos, o que reforça a necessidade de identificar biomarcadores capazes de avaliar o risco associado a esta exposição.

Neste estudo, analisámos o proteoma do epitélio nasal e do plasma de indivíduos não-fumadores saudáveis expostos ao FP no local de trabalho, num contexto ainda enquadrado pela Lei n.º 37/2007, utilizando uma abordagem proteómica ‘shotgun’ por espectrometria de massa. No epitélio nasal, observámos um aumento de proteínas envolvidas em vias centrais do metabolismo energético, como a Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase (GAPDH) e a triosefosfato isomerase (TPI1), sugerindo uma possível reprogramação metabólica induzida pela exposição. Identificámos também uma diminuição da tubulina beta-4B (TUBB4B), relacionada com a organização do citoesqueleto, e um aumento da proteína anti-apoptótica SERPINB3, apontando para alterações em processos de morte e sobrevivência celular.

No plasma, destacaram-se o aumento da butirilcolinesterase (BChE) e a diminuição da Proteína de ligação à vitamina D (GC), ambas associadas à resposta a xenobióticos e a processos de lesão tecidular. Foram ainda detetadas alterações em proteínas reguladoras da inflamação sistémica, como C1R, C1QC, HRG e PROS1. A expressão diferencial de APOA4 e SERPINF2 sugere, adicionalmente, a ativação de mecanismos relacionados com risco aterotrombótico.

Em conjunto, estes resultados contribuem para aprofundar a compreensão das vias biológicas que ligam a exposição ao fumo passivo ao risco acrescido de cancro e de doenças cardiovasculares, e apresentam um conjunto promissor de potenciais biomarcadores para avaliação do risco associado à exposição ao FP.

Leia o artigo completo aqui.

Autores: Sofia Neves 1,2; Solange A. Pacheco 1; Fátima Vaz 1,2; Cristina Valentim-Coelho 1; Joana Saraiva 1,2; Peter James 3; Tânia Simões 4; Deborah Penque 1,2

Afiliação: 1 – Laboratório de Proteómica, Departamento de Genética Humana, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa, Portugal; 2 – Comprehensive Health Research Centre, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa, Lisboa, Portugal; 3 – Protein Technology Laboratory, Department of Immunotechnology, Lund University, Lund, Suécia; 4 – CECAD – Cologne Excellence in Aging Research, University of Cologne, Colónia, Alemanha

Revista: Observações – Boletim Epidemiológico do INSA, 2025, Vol. 38, nº 38, pág. 71-75