Personalização terapêutica e literacia do doente são fundamentais na redução do risco cardiovascular

Personalização terapêutica e literacia do doente são fundamentais na redução do risco cardiovascular


publicado em Notícias

12/10/2026


Conhecer os valores de fatores de risco cardiovascular, como o colesterol LDL e a pressão arterial, pode evitar eventos graves, mas o sucesso no cumprimento dos alvos exige um esforço conjunto. Patrícia Afonso-Mendes, internista na Unidade Local de Saúde de Coimbra e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), falou à News Farma por ocasião da Semana do Coração – iniciativa da SPA que conta com o apoio da Servier –, para alertar sobre o desconhecimento que muitos doentes ainda demonstram em consulta quanto aos seus próprios números e apelar ao combate à inércia médica através de soluções terapêuticas realistas e adaptadas à vida de cada pessoa. Confira as declarações em vídeo.

Patrícia Afonso-Mendes destaca a urgência de capacitar a população para os seus parâmetros de saúde, frisando que muitos doentes continuam a guiar-se por noções desadequadas ao seu nível de risco individual. “Cada vez mais nós sabemos que cada doente tem o seu alvo. Portanto, cada valor é único para cada doente. E nós temos que perder algum tempo da nossa consulta – que não é perdido, mas que efetivamente nos rouba o pouco tempo que temos – para explicar os seus valores”, afirma a especialista.

Para a internista, a falha em atingir os objetivos terapêuticos definidos pelas orientações internacionais deve ser analisada como um problema com múltiplos responsáveis, em que a atitude do clínico é determinante. “Nós não temos uma barreira só, nós temos várias. Uma é o doente e o desconhecimento dele. Outra é o médico e a nossa inércia. E depois temos, se calhar, uma terceira que é também os custos associados à medicação, o número de medicamentos, etc.”, reflete Patrícia Afonso-Mendes.

Apesar de sublinhar que a farmacoterapia atual disponibiliza soluções de elevada eficácia e combinações que simplificam os esquemas posológicos, a especialista destaca a importância do pragmatismo no momento da prescrição. Na sua perspetiva, o sucesso do tratamento depende da capacidade de ajustar a medicação ao contexto socioeconómico de cada pessoa. “Eu muitas vezes não ponho a terapêutica que é ótima para o doente, mas aquela que é ótima para ele e que ele vai cumprir. Prefiro um doente que cumpra qualquer coisa e que, mesmo que não atinja o alvo, fique muito próximo dele, do que um doente que não cumpra de todo porque todos os fármacos que eu prescrevo são caros. Portanto, também temos que ter um bocadinho este ‘jogo de cintura’ ao tratar os nossos doentes”, conclui Patrícia Afonso-Mendes.