SPA reforça compromisso com a prevenção cardiovascular e apela à gestão integrada do risco

SPA reforça compromisso com a prevenção cardiovascular e apela à gestão integrada do risco


publicado em Notícias

12/10/2026


As alterações no estilo de vida e a intervenção terapêutica atempada são pilares indissociáveis na redução do risco cardiovascular. Em entrevista à News Farma por ocasião do Dia Mundial do Coração e no âmbito da Semana do Coração – iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) com o apoio da Servier –, Francisco Araújo, presidente da SPA e especialista em Medicina Interna, defende a urgência de capacitar o doente, reforçar a cooperação com as equipas multidisciplinares e implementar com rigor a avaliação e controlo dos fatores de risco na prática clínica diária. Assista às declarações em vídeo.

Francisco Araújo começa por destacar que a otimização dos hábitos de vida constitui a base estrutural sobre a qual assenta a eficácia do tratamento farmacológico. “Eu diria que o estilo de vida é a parte da base da pirâmide em que assenta o tratamento dos doentes”, afirma o médico, sublinhando a importância da pedagogia dos pequenos ajustes atempados na relação com o doente em consulta: “Às vezes são estas pequenas coisas que têm de ser encorajadas para permitir que as pessoas giram o seu risco cardiovascular”. O presidente da SPA salienta ainda que adotar hábitos saudáveis traz benefícios globais: “Nós não melhoramos só a parte da doença cardiovascular, mas melhoramos o risco de demência, melhoramos o impacto do peso nas articulações e todo o nosso organismo beneficia”.

Frente ao desafio estrutural da não-adesão terapêutica – que afeta cerca de 40% dos doentes –, Francisco Araújo enfatiza o papel determinante do trabalho em equipa multidisciplinar. “Os farmacêuticos vão ter um papel importantíssimo na reconciliação terapêutica, de forma a que não haja medicação duplicada para que as pessoas façam a medicação de forma correta”, afirma, referindo iniciativas como a “prescrição integrada” nas farmácias comunitárias. Da mesma forma, enaltece o contributo da Enfermagem na identificação e monitorização dos doentes de maior risco: “Os enfermeiros têm um papel muito importante no reconhecimento do risco e na gestão também da adesão à medicação”.

A fechar a entrevista, Francisco Araújo sintetiza a mensagem de compromisso da SPA para todos os profissionais de saúde através do conceito orientador do “ABC do risco”:

A – Avaliar: “Se nós não avaliarmos o risco dos doentes, seguramente temos o risco de, mais tarde, a situação clínica do nosso doente se poder agravar, haver progressão da doença e não termos uma atuação terapêutica adequada e correta”.

B – Balizar (alvos): “Encontrar quais são os nossos alvos e as nossas balizas, perceber o que é que precisamos de controlar – a glicemia, o parar de fumar, a pressão arterial ou o colesterol LDL –, e integrar o doente neste conhecimento para ele ter noção do risco que corre”.

C – Controlar: “Se não houver uma avaliação que confirme se as coisas estão a ir ao encontro das nossas decisões, se as análises melhoraram e os parâmetros vitais estão bem, obviamente, tudo pode ir por água abaixo”.