“Advanced Course on Cardiovascular Diseases: Diagnosis, Therapies, and New Therapeutic Targets”


publicado em Agenda

26/01/2026


Edifício da AHED, em Carcavelos

SPA e Tecnifar anunciam trabalhos vencedores do 1.º Congresso de Risco Vascular nos CSP

SPA e Tecnifar anunciam trabalhos vencedores do 1.º Congresso de Risco Vascular nos CSP


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21/01/2026


A Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), com o apoio da Tecnifar, realizou o 1.º Congresso Online de Risco Vascular e Dislipidemia em Cuidados de Saúde Primários para debate de casos clínicos, estudos e projetos no âmbito do risco vascular e dislipidemia em Cuidados de Saúde Primários (CSP). São agora anunciados os trabalhos vencedores do evento:

1.º lugar

“Casuística de uma Unidade de Saúde Familiar do Algarve – Desafiar o risco cardiovascular em doentes com VIH”

Investigador Principal: Dr.ª Ana Paula Romualdo (USF Ria Formosa – ULS Algarve)

2.º lugar (menções honrosas)

“Perfil de Risco Cardiovascular pré-evento em doentes seguidos nos Cuidados de Saúde Primários”

Investigador Principal: Dr.ª Luísa Sá Almeida  (Unidade de Saúde Familiar Anta – ULS Gaia e Espinho) 

“Do sintoma inespecífico ao diagnóstico de doença coronária: a importância da avaliação global do risco cardiovascular”

Investigador Principal: Dr.ª Mariana Silva (USF Carolina Beatriz Ângelo | ULS Guarda)

A SPA parabeniza os vencedores.

Impacto do fumo do cigarro passivo no proteoma humano: em busca de biomarcadores precoces de risco para a saúde

Impacto do fumo do cigarro passivo no proteoma humano: em busca de biomarcadores precoces de risco para a saúde


publicado em Notícias

05/01/2026


Os não-fumadores expostos ao fumo do cigarro passivo ou, simplesmente fumo passivo (FP), apresentam um risco acrescido de desenvolver diversas doenças graves. No entanto, os mecanismos moleculares que explicam estes efeitos continuam pouco esclarecidos, o que reforça a necessidade de identificar biomarcadores capazes de avaliar o risco associado a esta exposição.

Neste estudo, analisámos o proteoma do epitélio nasal e do plasma de indivíduos não-fumadores saudáveis expostos ao FP no local de trabalho, num contexto ainda enquadrado pela Lei n.º 37/2007, utilizando uma abordagem proteómica ‘shotgun’ por espectrometria de massa. No epitélio nasal, observámos um aumento de proteínas envolvidas em vias centrais do metabolismo energético, como a Gliceraldeído-3-fosfato desidrogenase (GAPDH) e a triosefosfato isomerase (TPI1), sugerindo uma possível reprogramação metabólica induzida pela exposição. Identificámos também uma diminuição da tubulina beta-4B (TUBB4B), relacionada com a organização do citoesqueleto, e um aumento da proteína anti-apoptótica SERPINB3, apontando para alterações em processos de morte e sobrevivência celular.

No plasma, destacaram-se o aumento da butirilcolinesterase (BChE) e a diminuição da Proteína de ligação à vitamina D (GC), ambas associadas à resposta a xenobióticos e a processos de lesão tecidular. Foram ainda detetadas alterações em proteínas reguladoras da inflamação sistémica, como C1R, C1QC, HRG e PROS1. A expressão diferencial de APOA4 e SERPINF2 sugere, adicionalmente, a ativação de mecanismos relacionados com risco aterotrombótico.

Em conjunto, estes resultados contribuem para aprofundar a compreensão das vias biológicas que ligam a exposição ao fumo passivo ao risco acrescido de cancro e de doenças cardiovasculares, e apresentam um conjunto promissor de potenciais biomarcadores para avaliação do risco associado à exposição ao FP.

Leia o artigo completo aqui.

Autores: Sofia Neves 1,2; Solange A. Pacheco 1; Fátima Vaz 1,2; Cristina Valentim-Coelho 1; Joana Saraiva 1,2; Peter James 3; Tânia Simões 4; Deborah Penque 1,2

Afiliação: 1 – Laboratório de Proteómica, Departamento de Genética Humana, Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Lisboa, Portugal; 2 – Comprehensive Health Research Centre, NOVA Medical School, Universidade NOVA de Lisboa, Lisboa, Portugal; 3 – Protein Technology Laboratory, Department of Immunotechnology, Lund University, Lund, Suécia; 4 – CECAD – Cologne Excellence in Aging Research, University of Cologne, Colónia, Alemanha

Revista: Observações – Boletim Epidemiológico do INSA, 2025, Vol. 38, nº 38, pág. 71-75

Dieta e risco vascular: da evidência à prática

Dieta e risco vascular: da evidência à prática


publicado em Notícias

16/12/2025


A alimentação é um determinante central do risco vascular e tem impacto na modulação da inflamação vascular, do stress oxidativo e da disfunção endotelial, mecanismos importantes na progressão da aterosclerose.

As Guidelines ESC 2021 e da Sociedade Espanhola de Aterosclerose (SEA, 2024) recomendam a adoção de um padrão alimentar tipo mediterrânico, com elevado consumo de frutas, hortícolas, leguminosas, frutos oleaginosos e cereais integrais, e predomínio de gorduras mono e polinsaturadas, particularmente o azeite virgem extra (EVOO). O consumo de peixe, especialmente de espécies ricas em ácidos gordos ómega-3, é incentivado, enquanto carnes vermelhas e processadas, produtos ultraprocessados, sal e açúcares adicionados é limitado. A evidência sublinha que mais importante do que reduzir a gordura saturada é o que a substitui: trocas por gorduras insaturadas reduzem o colesterol LDL (Ros et al., 2025).

Estudos clínicos randomizados corroboram estas recomendações. O estudo PREDIMED, de prevenção primária, demonstrou uma redução relativa de 30% em eventos cardiovasculares major em indivíduos que seguiram uma dieta mediterrânica (DM) suplementada com EVOO ou frutos oleaginosos (Estruch et al., 2018). O estudo CORDIOPREV, de prevenção secundária, evidenciou menor progressão da aterosclerose com uma DM rica em EVOO comparativamente a uma dieta hipolipídica e rica em hidratos de carbono complexos (Jose Jimenez-Torres 2021).

Por outro lado, a ESC/EAS 2025 e a SEA 2024 concluem que a suplementação com vitaminas e minerais não é recomendada para redução de risco vascular, pela ausência de evidência de benefício e potenciais riscos em doses elevadas.

A SEA 2024 acrescenta que padrões alimentares de elevada qualidade promovem não só saúde vascular, mas também sustentabilidade ambiental, sendo apresentada como uma medida que beneficia simultaneamente a saúde individual e a do planeta.

A evidência atual aponta para que a qualidade global da dieta, mais do que um único padrão alimentar, seja o principal preditor de proteção vascular. Uma meta-análise de 159 estudos prospetivos (6,2 milhões de participantes), mostrou que dietas de elevada qualidade reduziram em 17% a incidência e mortalidade por doença cardiovascular (Taylor et al., 2023). O conceito de padrão alimentar, ao invés do foco em nutrientes isolados, reflete a interação sinérgica entre nutrientes e compostos bioativos na matriz dos alimentos, modulando vias metabólicas e inflamatórias determinantes da função vascular.

No contexto português, a DM assume-se enquanto modelo alimentar de promoção de saúde vascular e sustentabilidade. A sua implementação requer o envolvimento coordenado de nutricionistas, médicos, farmacêuticos, e outros profissionais de saúde, através de intervenções breves, consistentes e baseadas na evidência. É com esta ação coletiva, juntamente com a implementação de políticas de produção e consumo alinhadas com as recomendações, que poderemos, efetivamente, tornar a aterosclerose uma doença rara.

Ana Margarida Pinto
Nutricionista. Laboratório de Nutrição | Centro Cardiovascular da Universidade de Lisboa

Quando o todo é maior que as partes - Da obesidade à síndrome cardio-renal-metabólica 

Quando o todo é maior que as partes – Da obesidade à síndrome cardio-renal-metabólica 


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10/12/2025


A expressão “o todo é maior que a soma das suas partes” foi popularizada por Aristóteles para descrever o conceito de sinergia, em que o resultado da combinação de diferentes elementos é mais significativo do que a simples adição desses elementos individuais. E esta verdade ancestral espelha com clareza a essência e a complexidade fisiopatológica da obesidade.

Mas estas palavras aristotélicas remetem-nos ainda para outra dimensão: a importância das palavras que usamos, a força da linguagem, o poder da comunicação. Sobretudo quando falamos de uma doença com este grau de complexidade e rodeada por um ciclo de culpa, estigma e vergonha que precisa de ser quebrado. Quando falamos de tantas “obesidades”, na sua pluralidade fenotípica. Quando devíamos falar de adiposidade, em detrimento de obesidade. E abandonar avaliações biométricas exclusivas como o IMC.

A obesidade é uma doença crónica baseada na adiposidade que impacta profundamente a saúde física e mental e afeta praticamente todos os sistemas do corpo. 

Na realidade, obesidade e a síndrome cardio-renal-metabólica (SCRM), são dois espectros da mesma doença, é o todo – e não apenas a soma das partes – porque representa um continuum patológico em que o excesso de adiposidade leva à disfunção metabólica, cardiovascular e renal. E podíamos, e devíamos, continuar a acrescentar sufixos. Porque na verdade esta síndrome não se esgota nestas três dimensões. 

Fisiopatologicamente, os adipócitos aumentados em tamanho e em número tornam-se disfuncionais, contribuindo para a acumulação de lípidos em depósitos de gordura ectópica e visceral (extravasamento lipídico). A adiposidade ectópica é a base da maioria das complicações relacionadas com a obesidade. O excesso de adiposidade disfuncional gera um estado lipotóxico, caracterizado por inflamação crónica sistêmica, resistência à insulina, disfunção endotelial e estresse oxidativo. E este risco metabólico inflamatório tem impacto direto nos diferentes órgãos e sistemas nomeadamente no coração, rim, vasos, fígado (na realidade em todos os órgãos e sistemas), acelerando o desenvolvimento de múltiplas doenças cardiovasculares – insuficiência cardíaca e FA, doença renal crônica e hipertensão resistente, MASLD, aterosclerose e síndromes coronários agudos…

Em resumo, a obesidade é uma doença neurológica com consequências que transcendem as metabólicas. Neste continuo fisiopatológico complexo e multiorgânico que caracteriza esta doença, surge o SCR resultado da interação complexa entre disfunção metabólica, inflamação e ativação neuro-hormonal.

A abordagem deve ser individualizada, integrada, multifatorial e personalizada, em que o objetivo é treat de target, visando a redução das complicações associadas a obesidade muito mais alem da perda de peso. Mas tão importante como tratar, a estratégia deve se focar na prevenção precoce da disfunção adipocitaria, determinante para a prevenção da doença cardiovascular no futuro.

Joana Louro
Assistente Hospitalar Graduada em Medicina Interna, ULSOeste 

Estudo nacional confirma elevado risco cardiovascular da população e alerta para necessidade de reforço do rastreio

Estudo nacional confirma elevado risco cardiovascular da população e alerta para necessidade de reforço do rastreio


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26/11/2025


Sabendo que as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte e morbilidade na Europa, um estudo recente procurou traçar o perfil de risco cardiovascular em quatro países, um dos quais Portugal, e revela que cinco a seis em cada dez portugueses avaliados apresentam um risco cardiovascular “elevado” ou “muito elevado”.

Além do nível de risco, o estudo permitiu ainda identificar disparidades significativas entre regiões do País: Portalegre registou o maior risco cardiovascular, enquanto Viana do Castelo apresentou os valores mais baixos, dados que reforçam a necessidade de abordagens regionais específicas. “Conhecer melhor a nossa realidade local pode mudar comportamentos — não só da população, mas também dos próprios médicos”, defende Francisco Araújo, presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e um dos autores desta investigação, que considera que a prevenção continua a ser a melhor estratégia. Resultados que não surpreendem o especialista: “Somos uma população cada vez mais envelhecida, e a idade é o principal marcador de risco cardiovascular”, explica.

“A doença cardiovascular em Portugal tem múltiplos fatores de risco, mas seguramente o colesterol e a hipertensão são dois dos fatores principais. Uma consulta médica vai permitir avaliar o risco, permitir saber se há mudanças de estilo de vida que possam trazer benefício, se há medicação que precisa de ser introduzida do ponto de vista preventivo. Tudo isto pode diminuir de uma forma muito significativa a probabilidade de uma pessoa vir a ter um evento cardiovascular”, reforça o especialista.

Além dos ganhos em saúde, há também benefícios económicos nesta deteção precoce do risco. “Se nós estivermos a pensar que uma parte desta população, que tem alguma idade, tem um risco muito elevado de ter um evento, o custo pode ser imenso, decorrente da recuperação ou das sequelas, no caso, por exemplo, dos doentes com AVC. Ou seja, a prevenção tem ganhos significativos e nós temos que apostar todos nesse tipo de prevenção.”

Conduzido pela Tonic Easy Medical, com a orientação científica de Cristina Gavina e Francisco Araújo, este estudo financiado pela Servier Portugal e publicado na revista Frontiers in Cardiovascular Medicine, procurou traçar o perfil de risco cardiovascular em quatro países de risco baixo (França e Espanha) e moderado (Itália e Portugal) com recurso a uma aplicação digital que se destina a avaliar o risco cardiovascular em pessoas aparentemente saudáveis com base em vários parâmetros. Uma ferramenta que, segundo o especialista, ajuda a combater uma tendência comum: a subestimação do risco. “Somos péssimos a fazer cálculos do risco. Já realizámos estudos em Portugal onde pedimos às pessoas para se autoavaliarem, e há uma clara tendência para minimizar o perigo”, alerta Francisco Araújo.

Os especialistas envolvidos neste trabalho recomendam, por isso, que se intensifique o rastreio e se desenvolvam estratégias de prevenção personalizadas, sendo o papel dos médicos de clínica geral considerado essencial, uma vez que são estes os profissionais mais envolvidos na gestão do risco cardiovascular dentro dos sistemas nacionais de saúde.

Investigação cardiovascular: incentivo e profissionalização são cruciais no combate à principal causa de mortalidade no mundo

Investigação cardiovascular: incentivo e profissionalização são cruciais no combate à principal causa de mortalidade no mundo


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25/11/2025


Fausto Pinto, professor Catedrático de Cardiologia e diretor do Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, proferiu a conferência “Como transformar o panorama da investigação na DCV em Portugal” no último dia do XXXIII Congresso Português de Aterosclerose. Em declarações à News Farma, o especialista sublinha que a doença cardiovascular é um dos “flagelos mundiais”, sendo a principal causa de mortalidade e de morbilidade, e defende que a investigação científica é fundamental para alterar este panorama. Assista à entrevista.

Fausto Pinto explica que a investigação em ciência cardiovascular é crucial para “compreendermos melhor os fenómenos que desencadeiam” problemas do foro cardiovascular e, com isso, conseguir “arranjar formas de diagnosticar mais precocemente e tratar de forma mais adequada”. O objetivo é ter dados que permitam ser mais eficazes na forma como se combate e se previne a doença.

O professor catedrático refere que a investigação cardiovascular em Portugal tem vindo a crescer, mas “precisa de um incentivo”, que abrange várias componentes, entre os quais financeiros para “acesso a projetos” e para que o país seja “mais competitivo”, quer a nível nacional, quer internacionalmente.

Para alcançar essa competitividade, Fausto Pinto defende que é fundamental que as diferentes instituições sejam profissionalizadas na forma como fazem a sua investigação clínica. Esta profissionalização deve passar pela organização de gabinetes de apoio à investigação científica, que permitam às organizações entrar em ensaios clínicos e participar em projetos. O objetivo final é aumentar a capacidade de Portugal de poder “contribuir, por um lado, para a ciência cardiovascular e, por outro lado, crescer na investigação no âmbito das doenças cardiovasculares”.

XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, n.º 2

XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, n.º 2


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18/11/2025


XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, n.º 1

XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, n.º 1


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18/11/2025


XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, n.º 1

Da inércia e falta de adesão à ação: Curso Avançado de Lipidologia promove a visão holística e atuação precoce para "tornar a aterosclerose uma doença rara"

Da inércia e falta de adesão à ação: Curso Avançado de Lipidologia promove a visão holística e atuação precoce para “tornar a aterosclerose uma doença rara”


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18/11/2025


Patrícia Vasconcelos (internista na Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra) e Patrícia Afonso-Mendes (internista na ULS de Coimbra), coordenadoras do Curso Avançado de Lipidologia, que se realizou no dia anterior ao arranque do XXXIII Congresso Português de Aterosclerose, alertam que as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de mortalidade em Portugal e que, apesar de colesterol LDL ser um dos principais fatores de risco modificáveis e de existirem terapêuticas eficazes, o controlo deste parâmetro “continua muito aquém daquilo que é desejável”. Assista às entrevistas.

Patrícia Vasconcelos partilha a sua análise sobre as razões pelas quais, apesar de existirem terapêuticas “muito eficazes, muito boas”, o controlo do colesterol LDL continua aquém do desejável. A especialista identifica dois desafios principais: a inércia médica e a falta de adesão do doente.

Segundo a coordenadora do Curso Avançado de Lipidologia 2025, a inércia médica é um desafio difícil de ultrapassar devido às orientações clínicas e guidelines que, por vezes, são confusas, levando os profissionais de saúde a ficarem “sem uma clareza do que se deve exatamente fazer”.

Quanto à adesão terapêutica, para Patrícia Vasconcelos, a dificuldade reside no facto de o colesterol ser uma doença que “não dói” e “não se vê”, o que, em conjunto com a baixa literacia, leva a que os doentes não percebam a importância deste fator de risco cardiovascular.

Questionada sobre a forma como o Curso Avançado de Lipidologia 2025 pode transformar a abordagem ao risco cardiovascular na prática clínica, sendo uma formação aprofundada em lípidos, a especialista lembra que existe um risco residual que está correlacionado com outros fatores, mesmo quando o colesterol LDL está controlado, tal como a presença de Lp(a). Assim, iniciativas destas permitem “compreender as bases, a fisiopatologia e a epidemiologia” e, consequentemente, “tratar melhor”, conhecendo as armas terapêuticas atualmente disponíveis para adaptar a cada risco individual.

Como mensagem final, Patrícia Vasconcelos gostaria que os participantes no Curso não se esquecessem que “quanto mais baixo, melhor. Quanto mais tempo, melhor”. E quanto mais precoce, melhor.

O papel da multidisciplinaridade e a barreira do custo

Patrícia Afonso-Mendes concorda que a inércia do médico e a falta de adesão são as duas principais barreiras no controlo do colesterol LDL.

“Temos doentes mal controlados, porque não os diagnosticamos cedo, não os estratificamos em condições e não iniciamos terapêutica”, afirma, referindo-se à inércia do médico.

Já sobre a adesão à terapêutica, a especialista correlaciona este aspeto com o custo dos fármacos antidislipidémicos, como as estatinas que, na sua perspetiva, “estão mal comparticipadas” e são caras para “uma população que neste momento já é considerada pobre”.

Para a internista, o Curso Avançado de Lipidologia 2025, que incluiu diversas especialidades médicas, é uma iniciativa crucial, cuja abrangência demonstra que é preciso ter uma visão holística, “não só do doente, mas também dos médicos que o tratam”.

Como mensagem final e à semelhança de Patrícia Vasconcelos, Patrícia Afonso-Mendes também quis reforçar a importância de uma atuação precoce e da persistência no tratamento: “Quanto mais cedo, melhor. Quanto mais tempo, melhor. Quanto mais baixo, melhor”. O objetivo é começar “desde cedo a ‘agredir’ o colesterol LDL” e a “tornar a aterosclerose uma doença rara”, mote da 33.ª edição do Congresso Português de Aterosclerose.